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Se houvesse dúvidas sobre a "pobreza" da actual política cultural e a "competência" dos organismos do Estado que têm por missão preservar o património cultural, as obras na Sé documentadas por O Carmo e a Trindade e acompanhadas pelo Cidadania Lx, seriam testemunho suficiente da pouca vergonha em que se transformou a nossa Cultura. Extintos o IPPAR e a DGEMN, os novos organismos IGESPAR e Direcções Regionais de Cultura são o exemplo acabado da leviandade com que é tratada a política cultural nacional. O socialista Manuel Maria Carrilho apresentou, em Março deste ano, uma posição contundente. Sob o título "Carrilho destrói política cultural", Cristina Figueiredo apresenta no "Expresso" de 2009.03.21, a posição do ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho num texto para discussão interna no seu partido. Carrilho lamenta que a política cultural actual se tenha tornado "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer dos anos 2005/2009 uma legislatura perdida para Cultura" e sublinha que "a cultura pode dar uma importante contribuição na resposta à crise que o país atravessa" , crise essa que não é apenas financeira, dizemos nós. A crise financeira "de modo nenhum justifica o estado de abandono a que a cultura tem sido votada, seja o desinvestimento de que tem sido objecto e que pode provocar - e enfatizo este ponto, uma vez que se trata de uma ameaça real - danos irreversíveis", diz o actual embaixador português na UNESCO. Carrilho tem toda a razão. Acescente-se (também) a inoperância e o caos estrutural actualmente existente nos organismos que sucederam à DGEMN e ao IPPAR, na sequência do PRACE. Basta ler as leis orgânicas e analisar o perfil técnico dos seus dirigentes, mesmo dos intermédios. Como se explica o mamarracho construído na Igreja de Santos-O-Novo (veja aqui) ? São dignas de registo estas opiniões: "Nem a cavaquização do país conseguiu ir tão longe como a socratização. Isto é um quarto vazio sem portas nem janelas", diz Pedro Abrunhosa. "Sócrates é o negativo de Guterres: um primeiro-ministro anticultura, antieducação", acrescenta Ricardo Pais. A política cultural para a nova legislatura e que consta das páginas 58 a 60 do Programa de Governo PS, aponta para medidas genéricas e para parcerias com os cidadãos e as empresas, à semelhança do (mais que duvidoso, dizemos nós) Cheque-Obra. Quanto à mais que necessária restruturação e operacionalização dos serviços NADA. As competências do IGESPAR e das Direcções Regionais de Cultura são uma autêntica nebulosa, com o IGESPAR a ocupar-se de obras que não são da sua competência (como a Biblioteca Nacional em Lisboa e o centro histórico de Cascais), e a DRC de Lisboa e Vale do Tejo a fazer obras sem projecto e a pagá-las antes de executadas ao empreiteiro (como no Arco da Rua Augusta). |
| topXXI October 18, 2009 07:51 PM PDT O articulista não percebe nada de património. A construção do "mamarracho" do mosteiro é uma obra pioneira, antevendo a actual preocupação do Ministério da Cultura que está a fazer a certificação energética do Mosteiro da Batalha e da Igreja de S. Vicente de Fora. Neste caso, já há alguns anos se pensou nisso. Que significado tem a Igreja, comparada com a construção que a protege do sol e da luz? Mas se isto juntarmos a inovação construtiva das microestacas, não estaremos perante um caso de inovação científica na conservação do património? Vão ver que esta obra, que alguém tonto quer demolir, ainda vai dar origem um tratado científico do LNEC e estudada como uma "caso de estudo" nas Universidades e pelo Icomos que, por certo, não deixará de a apresentar ao mundo civilizado como um exemplo pioneiro a seguir nos cânones da valorização do património cultural. Assim como os seus autores, quiçá, ainda pode vir a ser premiada no âmbito das boas práticas da Administração Pública! | ||
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